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Estudos realizados nos Estados Unidos, especialmente pela Nasa, estão indicando que as plantas realmente apresentam propriedades purificadoras de ambientes. Algumas espécies podem combater até a poluição existente dentro de casas e escritórios (gerada por verniz, tintas, colas, fibras sintéticas e fumaça de cigarro).
Um estudo recente, conduzido pelo cientista americano Bill Wolverton, da Nasa, comprovou que os poluentes podem ser absorvidos por bactérias que vivem nas raízes e nas folhas de plantas como jibóia, palmeira areca, ligustro-chinês, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge e bambuzinho.
A espada-de-são-jorge, por exemplo, elemento de proteção na umbanda, funcionaria como uma purificadora, pois absorve formaldeídos liberados por madeiras, tecidos sintéticos e carpetes.
Uma espécie de samambaia, a Pteris vittata, originária da África, é capaz de absorver arsênico - um metal altamente tóxico e cancerígeno, que contamina o solo e água, podendo até matar. Ela é o que os cientistas chamam de "hiperacumulador" e concentra em sua folhagem até 126 vezes mais arsênico do que a quantidade encontrada no solo. Por essa razão, um grupo de pesquisadores de universidades estaduais da Flórida e da Geórgia, nos EUA, acredita que ela pode ser usada para limpar resíduos tóxicos no solo. Desta forma, essa samambaia funcionaria como um "bioremediador", ou seja, um organismo capaz de eliminar substâncias nocivas do ambiente.
A Flor de Lótus, reverenciada por vários povos, por exemplo, é uma flor sagrada para os hindus, e possui uma microestrutura que a mantém sempre limpa, apesar de nascer no meio de pântanos. Uma tecnologia baseada na microestrutura da flor-de-lótus está sendo desenvolvida pelo botânico alemão Wilhelm Barthlott, da Universidade de Bonn, e promete revolucionar o mercado. A tecnologia autolimpante está sendo utilizada em vários produtos. O primeiro é uma tinta, batizada de Lotusan e fabricada pela alemã Ispo. Quando aplicada nas paredes externas de edifícios, a tinta repete a estrutura da superfície das pétalas e se torna, surpreendentemente, autolimpante.
Ao contrário do que se costuma imaginar - que as superfícies lisas são as mais limpas -, a flor-de-lótus é coberta por milhares de poros microscópicos. É exatamente essa porosidade que impede que a sujeira se acumule, sendo facilmente carregada pela chuva. Surpreendente também é que nem mesmo a água adere à superfície. Os pingos unem-se e rolam como mercúrio de um termômetro quebrado. E quando rolam pela parede, carregam a sujeira.
Outra empresa alemã, a Erlus, já produz há um tempo em escala comercial, outro produto com a mesma tecnologia, a telha Lótus-Rot. Como na caso da tinta, o efeito lótus é reproduzido na superfície da telha, que também é auto-limpante e repele a água.
A gama de aplicações potenciais da tecnologia baseada na flor-de-lótus parece ser infinita. Instrumentos médicos ou talheres, que estão sempre limpos, móveis externos que não sujam com a poluição, um verniz autolimpante para automóveis... Enfim, são os mistérios da natureza desvendados e transformados em produtos de consumo.
Fonte de pesquisa: Empresas&Carreiras - Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo - 01/02/01 e revista Nature
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