|
Os Cedros são árvores pertencentes à divisão Pinophyta, tradicionalmente incluída no grupo das gimnospérmicas. Este artigo refere-se apenas às plantas do género Cedrus, da família Pinaceae.
Cedro-canjerana (Cabralea canjeran) - conhecida pelos nomes vulgares de, entre outros, é uma espécie polimórfica, podendo ser arbustiva ou apresentar-se na forma de árvore, podendo atingir, nesse caso, a altura de 30 m. A sua madeira é vermelha, rosada, violácea ou amarela. As folhas são compostas e imparipenadas. As flores, dispostas em inflorescências (panículas), são brancas ou esverdeadas, com pétalas livres formando um tubo globoso. Os frutos são cápsulas globosas ou ovóides, cor vermelha-escura ou arroxeada. A casca é pardo-acinzentada, fendilhada e escamosa, com cristas duras e cortantes.
Cedro-cheiroso (Cedrela odorata), também conhecido pelos nomes vulgares de acaju, cedro-fêmea, cedro-rosa, cedro-cetim ou acaiacá (Cedrela fissilis Vell., entre outros nomes científicos - árvore nativa do Brasil), cedro-espanhol, cedro-vermelho e cedro-mogno é uma árvore da família das meliáceas, com uma ampla distribuição natural, ocorrendo do México desde o Panamá e Costa Rica até a Argentina; no Brasil está presente na maioria dos estados, na Floresta Atlântica, na Amazônia e mesmo na Caatinga em solos profundos e úmidos, porém bem drenados. Árvores chegam a atingir 30 m de altura. As suas folhas são compostas, 25 a 120cm, pecíolo densamente tomentoso a curto pubescente; folíolos de 12 a 18 pares, opostos a subopostos, sésseis a curto-pecioluilados pardo escuros quando secos, oblongos a oblongo-lanceolados até oval-lanceolados. As flores são amarelo-pálidas. Os frutos são capsulares. A madeira caracteriza-se pelo seu cerne vermelho e é muito utilizada e apreciada na produção de mobília. Em virtude de sua madeira de excelente qualidade, o cedro está ameaçado de extinção resultante da exploração excessiva. É utilizada na produção de óleo essencial utilizado em perfumaria. O Cedro brasileiro não deve ser confundido com o cedro do Líbano, o qual é uma Gimnosperma do gênero Cedrus. Provavelmente, Cedrela odorata recebeu o mesmo que o cedro (Cedrus) devido à boa qualidade da sua madeira e ao odor característico desta, semelhante ao do cedro-do-líbano.
Cedro-do-líbano (Cedrus libani) - é uma árvore conífera, majestosa, nativa das montanhas da região mediterrânica, no Líbano, Síria Ocidental e Turquia centro-meridional. Algumas variades (consideradas como espécies distintas por alguns autores ocorrem a sudoeste da Turquia, no Chipre e nos Montes Atlas na Argélia e em Marrocos, no noroeste africano. São elas:
- cedro-do-líbano (Cedrus libani): Líbano, Síria ocidental e Turquia centro-meridional.
- Cedro-da-turquia (Cedrus libani): sudoeste da Turquia;
- Cedro-do-chipre (Cedrus libani): Chipre
- Cedro-do-atlas (Cedrus atlantica ou Cedrus libani): Montes Atlas.
No Líbano e na Turquia é abundante principalmente a altitudes entre os 1000 e 2000 m, onde constitui florestas puras ou mistas com abetos-da-cilícia (Abies cilicica), pinheiro-larício (Pinus nigra), e várias espécies do género Juniperus. Em Chipre, ocorre entre os 1000 e os 1525 m de altitude (atingindo o cume do monte Pafos), e nos montes Atlas dos 1300 aos 2200 m de altitude, em florestas puras ou mistas com abetos-da-numídia (Abies numidica), zimbros, carvalhos e plátanos.
A árvore tem folhagem perene. Têm copa em forma de cone quando jovens e copa rasa com andares distintos quando na forma adulta. Os ramos são dimórficos: com pequenos (braquiblastos) e grandes (macroblastos) ramos. As folhas, com forma de agulhas espaçadas nos ramos maiores e em grupos de 15 a 45 folhas nos ramos menores. As folhas medem de 5 a 30 mm de comprimento, são quadrangulares em secção transversal, variando do verde para o glauco azul-esverdeado, com bandas estomáticas nas quatro faces.
Os estróbilos (pinhas) são produzidos geralmente de dois em dois anos, amadurecendo 12 meses após a polinização; os estróbilos maduros, no mês de Outubro, medem cerca de 8 a 11 cm de comprimento e 4 a 6 cm de diâmetro, são resinosos e abrem para dispersar as sementes aladas ao longo do inverno. As sementes medem cerca de 15 mm de comprimento e 6 mm de diâmetro, com uma asa triangular de 20 a 25 cm de comprimento. A primeira aparição dos estróbilos ocorre, em geral, quando a planta tem cerca de 20 a 40 anos. É uma árvore de grande longevidade, podendo viver durante séculos.
A variante conhecida como cedro-do-atlas (Cedrus atalntica), caracteriza-se pelos estróbilos subcilíndricos, de 5 a 8 cm de comprimento por 3 a 5 cm de diâmetro, folhas glaucas e rebentos pubescentes (com "pêlos"), distinguindo-se da variedade comum de cedro-do-líbano que apresenta rebentos glabros (sem "pêlos") e estróbilos com forma de barril, com 7 a 12 cm de comprimento por 4 a 8 cm de diâmetro.
Quanto ao clima o Cedro do Líbano é pouco tolerante à sombra, por isso prefere as posições onde existe sol total (a árvores jovens podem crescer em sombra parcial, mas vão eventualmente necessitar de sol total para realizar o seu potencial), além do mais nasce naturalmente onde exista pequenos aguaceiros no verão, sendo também bastante tolerante à seca. Relativamente aos solos, esta espécie necessita de uma boa drenagem, não suportando solos muito argilosos e não crescendo com sucesso em áreas onde a qualidade do solo é pobre (falta de nutrientes). Tem facilidade o seu crescimento e disseminação em terras ácidas e em solos finos sob pedra calcária.
A importância do cedro-do-líbano em diversas civilizações clássicas compreende-se pela diversidade de usos possíveis. A sua madeira, homogénea e aromática, foi bastamente utilizada na antiguidade, pelos Fenícios, para construir as suas embarcações militares e comerciais, bem como para a construção de templos e habitação. Os Egípcios utilizavam a sua resina na prática da mumificação - encontram-se, de facto, vestígios da sua serradura nos túmulos dos Faraós. Papiros antigos comprovam a grande comercialização entre o Líbano e o Egito desta madeira de distinção. Era ainda costume queimar-se este tipo de cedro em diversas cerimónias solenes. Moisés aconselhava os sacerdotes judaicos a utilizarem a sua casca durante a circuncisão e no tratamento da lepra. De acordo com o Talmude, os Judeus queimavam madeira de cedro-do-líbano no Monte das Oliveiras para anunciar o início do ano novo. Vários reis da região, bem como de países distantes, procuravam a sua madeira para as suas construções civis ou religiosas - sendo o caso mais famoso o da construção do Templo de Salomão em Jerusalém, bem como os Palácios de David e Salomão. Foi ainda utilizada frequentemente pelos Romanos, Gregos, Assírios e Babilónios.
É o símbolo nacional do Líbano, onde é ostentado na bandeira nacional. Foi ainda o símbolo da Revolução dos cedros, além de ser adoptado como insígnia de diversos partidos políticos do Líbano. Como resultado da sua exploração constante ao longo da história, poucas árvores antigas restam no Líbano, o que justificou a implementação de um programa ambiental para a conservação e regeneração das suas florestas. O plantio extensivo tem também sido levado a cabo na Turquia, onde cerca de 30 000 ha de cedros são plantados anualmente.
É uma árvore ornamental bastante comum por todo o mundo, em parques, jardins e avenidas. No sul de França existem várias plantações, principalmente da varainte atlantica, para a produção de madeira.
|