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Curiosidades sobre as pimentas

Registros mais antigos do consumo de pimentas datam de aproximadamente 9 mil anos, resultado de explorações arqueológicas em Tehuacán, México. Outros sítios arqueológicos pré-históricos (2500 a.C.) são conhecidos no Peru, nas localidades de Ancon e Huaca Prieta.

 

O cultivo de pimentas era também uma característica de tribos indígenas brasileiras desde o descobrimento do Brasil. Com uma imensa variedade de pimentas nativas, certamente podemos supor que diversas tribos brasileiras cultivavam e colhiam pimentas; e o plantio de pimenta por tribos indígenas continua até hoje, como entre os índios mundurucus, da bacia do rio Tapajós.

 

As rotas de navegação durante o período de 1.492 a 1.600 permitiram que as espécies picantes e doces de pimentas e pimentões viajassem pelo mundo. A globalização do conhecimento e do uso da pimenta tem, possivelmente, seu registro principal no livro “De historia stirpium”, de Leonhartus Fuchsius em 1543, onde são apresentadas as primeiras ilustrações de pimentas com precisão científica.

 

Já de 1500 para 2000, as sementes e frutos de pimentas e pimentões passaram a ser consumidas por povos de todas as origens, em quantidade crescente e em uso nos mais diversos pratos.

 

As pimentas e os pimentões pertencem à família Solanaceae e ao gênero Capsicum. Este gênero possui de 20-25 espécies, normalmente classificadas de acordo com o nível de domesticação.

 

O Brasil destaca-se por possuir ampla diversidade em todas as categorias e contempla 4 espécies domesticadas: Capsicum annuum var. annuum; Capsicum baccatum var. pendulum; Capsicum chinense; Capsicum frutescens. Existem ainda 3 espécies semi-domesticadas: Capsicum annuum var. glabriusculum; Capsicum baccatum var. praetermissum; Capsicum baccatum var. bacctaum. E também 8 a 10 espécies silvestres.

 

As diferentes espécies e variedades (variação morfológica dentro da mesma espécie) domesticadas e semi-domesticadas podem ser discriminadas por características morfológicas visualizadas principalmente nas flores. Há quem utilize a pimenta como tempero do amor, por acreditar que seja afrodisíaca, e também os que juram que ela afasta o "mau-olhado".

 

Hoje, tailandeses e coreanos são considerados os maiores consumidores de pimenta do mundo; o consumo atinge até oito gramas por dia por pessoa. Por aqui, não há dados sobre o consumo, mas o cultivo é feito em praticamente todas as regiões, com destaque para Bahia, Ceará, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul.

 

A característica "ardida" da pimenta, chamada pungência, é exclusiva desse gênero e é atribuída a um alcalóide, a capsaicina, que fica acumulado na parte interna do fruto. A pungência das pimentas pode ser medida em Unidades de Calor Scoville (Scoville Heat Units - SHU), com aparelhos específicos. O valor SHU pode chegar a 300 mil, caso, por exemplo, da cumari-do-pará.

 

Os frutos maduros são vermelhos, mas podem variar desde o amarelo até o preto, além de alaranjado, salmão e roxo. O formato varia segundo a espécie, e há frutos alongados, arredondados, triangulares e quadrados.

 

As espécies do gênero Capsicum mais cultivadas no Brasil são:

- Bode (C. chinense) - frutos arredondados ou achatados, vermelhos e amarelos. É muito picante e os frutos maduros são utilizados principalmente em conservas.

- Cambuci (C. baccatum var. pendulum) - frutos vermelhos em forma de campânula ou de sino. Com sabor adocicado, pode ser utilizada em saladas.

- Cumari-do-pará (C. chinense) - frutos triangulares e amarelos quando maduros. Bastante picante, é utilizada em conservas.

- Cumari-verdadeira (C. baccatum var. praetermissum) - frutos arredondados ou ovalados, vermelhos e muito picantes.

- Dedo-de-moça (C. baccatum var. pendulum) - frutos alongados e vermelhos. Sua pungência é baixa e é utilizada em molhos, conservas e desidratada, em flocos (calabresa).

- Jalapeño (C. annuum) - originária do México, com frutos grandes, sabor forte e pungência mediana.

- Malagueta (C. frutescens) - uma das mais cultivadas é vermelha, mede de 1,5 e quatro centímetros. Com pungência de média para alta, é a mais utilizada para "esquentar" o acarajé.

- Pimenta-de-cheiro (C. chinense) - frutos alongados, triangulares ou retangulares. A coloração também é variável (amarelo-leitoso ao preto), assim como a pungência (doce até muito picante).

 

(Fonte de pesquisa: Embrapa Hortaliças)

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