No Brasil, o homem rural não se dedicou à cultura da baunilha por ignorar os meios para o seu cultivo, principalmente o meio de fazer a frutificação manual e artificial de suas flores em grande escala. Uma plantação é relativamente fácil e barata para se organizar. Primeiramente, deve-se construir uma cobertura de madeira de 10 metros de largura por 30 metros de comprimento e 2 metros de altura, em terreno fresco e abundante de húmus, sombreado e protegido de ventos fortes.
Em cada esteio plantam-se pedaços de hastes que tenham mais ou menos 1 metro de comprimento. Enterram-se 10 a 15 centÃmetros e amarra-se onde a planta deva crescer. A plantação deve ser feita no inverno, nos meses mais úmidos, para que as mudas não se desidratem com o calor.
Das axilas das folhas irão surgir raÃzes ou gavinhas que vão se agarrar à madeira. Não devemos plantá-las na encosta de grandes árvores, como mangueiras ou jaqueiras. Por ser uma planta trepadeira, alcançando até 20 metros de altura, se ramificar pelos galhos das árvores fica difÃcil, na época da floração, a polinização de suas flores e a colheita de seus frutos.
Após dois ou três anos, essas coberturas estarão entrelaçadas de racimos e apresentarão as primeiras florações nos meses de outubro e novembro.
Preparo e conservação dos frutos
Na época da colheita dos frutos há vários processos para prepará-los, conservando e mantendo o aroma inalterado. No México e na Guiana adota-se o sistema de secagem ao sol e à sombra. Estendem-se panos de lã, de cor escura, bem expostos ao sol. Colocam-se os frutos por algumas horas. Depois são envolvidos e deixados em local sombrio. No mesmo dia repete-se o processo (os frutos são colocados novamente ao sol e, durante a noite, envolvidos no pano de lã e, assim, secam totalmente). É um processo moroso de até 2 meses, se não ocorrerem dias ensolarados seguidos.
Outro processo bastante usado é reunir algumas vagens, amarrando-as em pacotes e mergulhando-os por espaços de 20 a 30 segundos em água fervente – isso para o poder germinativo de suas sementes. Espalhá-las depois sobre esteiras ou pendurá-las para secar. Nos dias consecutivos, colocá-las ao sol e à sombra. Depois de mergulhadas em água fervente, as vagens segregam uma substância viscosa, que deve ser separada com cuidado para não romper as cápsulas. Para isso não acontecer, elas devem ser amarradas com fio de algodão, envolvendo-as, em seguida, em um pano de lã, para transpirarem até o dia seguinte. Devem ser colocadas à sombra durante algumas horas para uma perfeita aeração, antes de irem novamente ao sol para secar.
Existe, ainda, um outro processo: untar as vagens com óleo de castanha de caju (carbóleo-cardol-ácido anacardÃaco) sem densa aplicação para evitar o ranço dos frutos. Esse óleo é aplicado com pincel e não como banho (óleo em excesso prejudica o aroma). Este processo é empregado após o banho na água fervente e após as frutas começarem a enrugar. Na ilha de Madagascar a secagem é feita com cloreto de cálcio.
Vanilina
Lecomte, em 1902, demonstrou que o desenvolvimento do perfume da baunilha era devido à ação de uma oxidase sobre os princÃpios existentes na planta. No momento da colheita, os frutos não tem nenhum aroma; eles adquirem sua suavidade em uma curta imersão na água a 80 graus centÃgrados. Este autor achou oxidase em todos os órgãos da planta, constatando a presença de manganês. A planta contém ainda um fermento hidratante, que age sobre a coniferina e que se desdobra em álcool coniferÃnico e glicose. A oxidase age sobre este último corpo e transforma-o em vanilina.
Elementos de botânica prática
A baunilha é composta de óleo graxo e ácido benzóico. A vanilina tem propriedades excitantes. Favorece a digestão e admite-se ser afrodisÃaca, antiespasmódica, emenegoga. Serve sobretudo como aromatizante, sendo muito utilizada em chocolates e na preparação de doces. Pode ser encontrada em tabletes, em pó, em tintura e em porção. É um dos excitantes mais agradáveis da matéria média e reputada afrodisÃaca por excelência.
Lista de espécies do gênero Vanilla